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dezembro 11, 2025

A cura da APLV: nossa jornada, o processo de reintrodução e uma mensagem de esperança


Durante nove anos, a APLV (alergia à proteína do leite de vaca) fez parte da minha rotina como mãe. Quem me acompanha nas redes sabe que minha cozinha era totalmente adaptada, meu conteúdo era de receitas sem leite e a vida aqui em casa girava em torno de cuidados, rótulos e muita atenção. Hoje, escrevo este texto para contar algo que sempre sonhei registrar: meus filhos superaram a APLV.


É um marco, um fechamento de ciclo, mas também um convite para você, mãe de alérgico, respirar com mais calma e lembrar que seu esforço tem valor.


A APLV foi um desafio que chegou cedo. Entre reações, consultas, dermatites, noites mal dormidas e pequenas inseguranças acumuladas, nossa família precisou adaptar absolutamente tudo. Por muito tempo, eu vivia no “modo alerta”. Ler rótulos virou hábito. Carregar marmitinha para festas virou rotina. Planejar cada refeição virou parte da minha identidade como mãe.


E, como toda mãe de alérgico sabe, existe todo um cuidado que ninguém vê. É a tensão antes de um aniversário, o medo de uma contaminação mínima, a velocidade com que o coração acelera ao ver uma manchinha na pele. É cansativo e, ao mesmo tempo, inevitável.




Conciliar trabalho, casa, maternidade e APLV é um nível diferente de organização. No meu caso, isso influenciava até o jeito que eu criava conteúdo. Muitas das minhas receitas eram pensadas a partir dessa restrição. Eu compartilhava adaptações, alternativas, estratégias e tudo aquilo que ajudava outras mães a viver com mais leveza. O mercado ainda não tinha tantas opções e quando encontrava era tudo muito caro. 


Com o crescimento da indústria vegana, hoje temos muito mais opções. Mas eu sou de um tempo que era raro encontrar substitutos sem leite, então eu precisei inventar, me reinventar. Ainda assim, por trás da tela, existia uma mulher exausta tentando dar conta de tudo. A APLV moldou nossa rotina, mas também moldou minha força. E enquanto muita gente via apenas “mais uma mãe que não dá leite”, quem vive isso entende que existe uma história muito maior por trás.


Quando a primeira mudança apareceu


Depois de anos estabilizando a rotina, chegou o momento em que a equipe médica que acompanha meus filhos sugeriu iniciar uma reintrodução gradual. Foi em 2020 a primeira vez. Estava tudo indo bem no TPO, mas estourou a pandemia e precisamos regredir, porque se houvesse uma reação não poderíamos ir na emergência em pleno surto de COVID-19.




Depois, quando fiz o teste do TPO novamente, eles acabaram reagindo e precisamos estabilizar primeiro antes de tentar. Mas esse ano, 2025, resolvemos tentar movidos pela esperança. Minha melhor amiga também tinha uma filha alérgica como o meu (talvez até mais grave) e eles tem uma diferença mínima de idade. A filha dela se curou!


Foi então que movidos pela coragem e determinação, decidimos que era hora de voltar a tentar. Confesso que meu primeiro sentimento foi medo. Só quem vive a alergia alimentar entende o peso emocional de dar o “proibido”, mesmo em quantidades mínimas. Mas decidimos tentar. Com tudo documentado, com orientação, com calma. E, aos poucos, pequenas vitórias começaram a surgir.


Quantidades que antes causavam reação passaram despercebidas. Pequenos marcos que traziam uma mistura de esperança e cautela. Eu acompanhava cada detalhe, pronta para recuar, mas torcendo para avançar. 



O processo de reintrodução e o acompanhamento médico


A reintrodução foi feita em etapas, com tempos de observação e ajustes. Não foi rápido. Não foi fácil. Mas foi constante. A cada fase concluída, meu coração acelerava. E, sinceramente, eu demorei a acreditar que estava dando certo. Mãe de alérgico cria defesas emocionais. A gente se acostuma tanto com a restrição que o “liberado” parece perigoso demais.


Todo o processo foi feito dentro do consultório, totalmente preparado para qualquer intercorrência. Ficávamos lá umas 3h. Depois 2h. Depois 1h. Depois era com a gente em casa.


Mas o corpo deles mostrou tolerância, adaptação e força. O que antes gerava reações passou a ser recebido como qualquer outro alimento. Primeiro um biscoito, depois outro...até que veio iogurte, Yakult e fomos avançando. 1g de proteína, 2g de proteína...de 2g a 3g eu comecei a variar as opções e comecei a ler rótulos para entender a dosagem e oferecer mais itens. 


Então fomos de 2,5g a 3,5g. Quando contei para a alergista que estávamos avançando bem ela falou: traga o leite que ele beberá aqui. E assim foi. De uma vez ele bebeu um copo de 100ml e não reagiu. Pela primeira vez vi meu filho não empolar, não ter choque anafilático. E minha filha, que era não-mediada, não teve sintomas de pele, respiratórios e gastrointestinais. Parecia um milagre! Em abril ela havia tido reação ao comer biscoito. Em agosto não.


Em 2024 meu filho teve reação alérgica por inalar o whey protein que meu marido abriu sem querer na presença dele. Em 2025, ele bebeu e não teve nada.


Depois de semanas de testes e acompanhamento, os profissionais da saúde apontaram o que eu nunca imaginei realmente ouvir: “Eles estão tolerando completamente", "eles estão curados".


Como está nossa vida depois da APLV

A ficha demorou a cair, mas eu chorei. Chorei quando comprei o primeiro produto com leite e coloquei na sacola sabendo que eles poderiam comer. Chorei vendo eles comerem em um restaurante sem precisar fazer perguntas ao garçom sobre ingredientes. Chorei quando viajamos despreocupados sobre a comida do local. Chorei na festa de aniversário com bolo com leite. Chorei no lanche coletivo da escola (agora com tudo permitido pra eles).


É uma sensação difícil de explicar. Um alívio profundo, acompanhado de gratidão, medo e felicidade. Depois de anos organizando a vida inteira ao redor da alergia, algo mudou. A mochila invisível que eu carregava finalmente ficou mais leve.


As primeiras vezes que saímos para comer fora sem aplicativos, sem cardápios paralelos e sem rótulos foram quase surreais. Eu ficava procurando motivo para desconfiar, esperando alguma reação, mas nada acontecia. A primeira festa sem marmitinha foi emocionante. A primeira compra sem separar duas listas foi libertadora.


E a primeira receita tradicional que fiz para a família inteira teve gosto de vitória. Eu pedi que minha mãe fizesse a lasanha dela (a minha favorita) para que eles pudessem comer pela primeira vez! 


Hoje, viver sem a APLV não significa esquecer tudo o que passamos. Significa respeitar nossa história enquanto celebramos o novo capítulo.



Uma mensagem de esperança para as mães que estão vivendo a APLV agora


Se você chegou a este texto porque está pesquisando sobre APLV, reintrodução, cura ou sintomas…eu quero falar com você.


Eu sei que é cansativo.

Eu sei que, às vezes, parece que essa fase nunca vai terminar.

Eu sei o quanto você planeja, revisa, confere e tenta prever riscos que ninguém percebe.

Mas deixe essa mensagem entrar: a maioria das crianças supera a alergia.

Mesmo quando parece impossível, existe evolução acontecendo.

Seu cuidado faz diferença.

Sua atenção salva.

Seu esforço constrói o caminho da tolerância.


Você não está sozinha nessa jornada.

Seu filho vai crescer, o corpo vai amadurecer, as fases vão mudar e o capítulo da alergia pode, sim, se fechar.


Uma nova fase


Essa notícia marca um recomeço para minha família e, de certa forma, para mim também.


Quero voltar a compartilhar nossa vida real, minhas receitas, organização, rotina de mãe que trabalha fora e tudo aquilo que faz sentido nesse momento. A APLV fez parte da nossa história, mas não é mais tudo o que somos. Tem relato em vídeo também, se você preferir, no meu canal do Youtube!


E eu quero dividir esse novo ciclo com quem sempre esteve comigo, crescendo junto, aprendendo junto, vivendo junto.

Vem comigo?


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junho 27, 2023

5 dicas paras começar uma dieta sem leite e derivados

Incorporar uma alimentação sem leite e derivados pode parecer desafiador no início, mas é possível e pode até ser muito benéfico para a saúde de algumas pessoas. Aqui estão algumas dicas para te ajudar a incorporar uma alimentação sem leite e derivados:

Comece devagar: É importante lembrar que uma alimentação sem leite e derivados pode ser uma grande mudança na sua rotina alimentar. Por isso, comece devagar e faça pequenas mudanças no seu cardápio diário. Por exemplo, substitua o leite de vaca pelo leite de amêndoa ou outras opções de leite sem lactose.

Procure alternativas: Existem muitas alternativas sem leite disponíveis no mercado, como leite de soja, leite de amêndoa, leite de arroz, leite de aveia, entre outros. Procure experimentar algumas dessas opções para descobrir qual é a sua preferida.

Leia os rótulos: É importante verificar os rótulos dos alimentos que você compra para garantir que não contenham leite ou derivados. Alguns alimentos, como pães, biscoitos e molhos, podem conter leite em sua composição.

Cozinhe em casa: Cozinhar em casa pode ser uma ótima maneira de controlar os ingredientes da sua alimentação. Existem muitas receitas deliciosas sem leite disponíveis na internet.

Busque orientação profissional: Se você tem alguma condição de saúde que requer uma alimentação sem leite e derivados, é importante buscar orientação de um profissional de saúde, como um nutricionista, para garantir que você esteja recebendo todos os nutrientes necessários para o seu corpo.

Lembre-se de que incorporar uma alimentação sem leite e derivados pode ser um processo gradual e pode levar algum tempo para se adaptar a essa mudança. Mas com um pouco de planejamento e criatividade, é possível ter uma dieta equilibrada e saborosa sem leite e derivados.

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março 24, 2023

Um dia de refeições sem leite - Cardápio para APLV

Cortar leite e derivados do cardápio é tenso! Me vi nessa situação do dia para a noite. A falta de informação me fez acabar emagrecendo muito (7 quilos) porque eu não sabia como comer bem! Se passaram seis anos e de lá para cá muitas são as opções de alimentos industrializados sem leite. Por isso resolvi ajudar vocês e montar um cardápio de um dia para quem quer se alimentar bem, mesmo não consumindo leite de vaca. 




Café da manhã:

Aveia com frutas e amêndoas

Smoothie de frutas com leite de amêndoa

Pão integral com abacate e ovo


Lanche da manhã:

Frutas frescas

Castanhas e nozes


Almoço:

Salada verde com quinoa e legumes

Frango grelhado com arroz integral e legumes assados

Sopa de lentilha com legumes


Lanche da tarde:

Hummus com palitos de cenoura e pepino

Batata-doce assada com manteiga de amendoim


Jantar:

Peixe grelhado com purê de batata-doce e legumes no vapor

Chili vegetariano com arroz integral

Frango assado com legumes assados


Sobremesa:

Frutas frescas com chantilly de coco

Sorvete de frutas sem lactose (La Frutta)

Bolo de banana com aveia e nozes


Lembre-se sempre de verificar sempre os rótulos dos alimentos para garantir que não contenham lactose ou proteínas do leite!

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outubro 27, 2017

APLV tem cura?

mãe na massa


Sou mãe de um APLV e a alergia ao leite de vaca já é mais do que uma realidade na minha vida. Precisei cortar tudo que levasse leite e seus derivados da minha dieta e, com isso, emagreci pelo menos sete quilos. Não estou feliz com isso, visto que eu já era magra. Ivan, por sua vez, é beneficiado da minha decisão, já que ainda mama no peito com quase dois anos de idade e nunca mais teve outro sintoma de alergia do que aquele em setembro de 2016. 

Quando descobri que meu filho tem alergia ao leite fiquei chateada, mas isso passou. Vi que existe vida boa nessa condição, porque isso é uma condição. Conversei com muitas mães que me confortaram que tudo isso passa. Para alguns a alergia vai embora mais cedo, para outros ela dura alguns anos. Ivan está chegando no segundo ano de vida e sei que ainda é alérgico, porque toda vez que como algo que leva leite ele fica com diarreia ou encatarrado. Já a alergia cutânea já quase não é mais vista, mas dependendo do que encoste nele surgem bolinhas.

Ou seja, com quase dois anos, Ivan ainda tem alergia ao leite de vaca. Em um papo com a Juliana Campos, do Blog Mãe na Massa, ela me contou como foi o processo de descoberta da cura da alergia ao leite com o filho dela. O Arthur, caçula dela, foi APLV até ter quase quatro anos. Ela ia testando ele até ver que ele estava curado. Assim como eu, ela também deu peito pra ele por muito tempo.

Confira o bate papo no vídeo abaixo:


Se você está na mesma situação que eu, fica calma. A APLV, por mais que não exista cura, jamais será uma doença. Ela é uma condição que impede o consumo de qualquer alimento. No mais, a vida segue normalmente. Hoje em dia temos muitos alimentos que substituem leite de vaca e a indústria de alimentos naturais e para alérgicos vem crescendo. Marcas como a Jasmine, Aruba e Schär estão aí para nos ajudar! Além disso, podemos lembrar os leites vegetais, que estão aumentando em sua variedade - e tenho fé que um dia o preço irá abaixar.

Um dia de cada vez e vamos fazendo pequenos testes periódicos em casa ou no médico até que cheguemos a essa cura. Ela vem, sim, para a maioria das pessoas. Alguns mais cedo, outros mais tarde. Acredito que a expectativa da gente é o que mais frustra, mas se encararmos como um propósito, tudo passa a ser mais tranquilo ou menos sofrido.

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junho 11, 2017

Receita: Bolo de pão de mel sem leite


Quem tem filho com restrição à leite sabe o quanto é difícil encontrar gostosuras para eles. Com muita criatividade e testes na cozinha, acabo conseguindo transformar alimentos que normalmente teriam leite em versões para APLV. Foi isso que aconteceu com a receita de hoje. Eu amo pão de mel e estava meio chateada de não poder comer mais. Pesquisei diversas receitas na internet e nos livros que possuo até chegar em uma combinação que não possuísse leite. Coincidentemente, também não possui ovo e glúten, itens que também são fatores de alergia em muita gente.

Esse bolo de pão de mel pode ser servido no lanche ou mesmo em festas. Basta adicionar uma cobertura de chocolate sem adição de leite e fazer aquela casquinha crocante. 

Ingredientes:
1 xícara de farinha de arroz 
1/2 xic de polvilho doce 
1/2 xic de fécula de batata ou amido de milho 
1 colher de sopa de farinha de amêndoas 
1 xícara de açúcar mascavo 
1/2 colher de chá de noz moscada 
1 colher de chá de canela 
1 xícara de mel orgânico 
1 colher de chá de bicarbonato 
2 colheres de chá de fermento em pó 
2 colheres de sopa de leite de amêndoas 
2 colheres de sopa de óleo de coco 
1 colher de sobremesa de essência de baunilha 

Modo de preparo
Misture na batedeira os ingredientes líquidos e, em seguida, adicione os ingredientes secos (polvilhados de preferência) aos poucos. Unte as forminhas com óleo ou azeite e leve ao forno pré aquecido a 180º por 20 minutos, aproximadamente.

Veja no vídeo abaixo o passo a passo:




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junho 10, 2017

Receita: Frozen de Banana

smoothie de banana

Quem tem filho pequeno sabe que é preciso bastante criatividade para manter a alimentação deles atraente. O smoothie ou frozen de banana é a solução para aqueles dias em que você não sabe o que oferecer de lanche ou mesmo sobremesa. Ele não leva leite, o que permite que crianças APLV, como o Ivan, possam comer sem problema algum. Existem algumas receitas na internet que incluem iogurte, mas aqui ele está fora de cogitação!

Já levei potinhos com esse frozen em viagens e nos passeios que fazemos. Ele fica gelado, mas ao descongelar não fica aguado. A textura dele é como um Danoninho, só que sem açúcar e mais saudável! Veja abaixo como fazer:

- Congele uma banana sem casca e em pedaços (aproximadamente 1h30 no congelador).
- Escolha outra fruta de sua preferência (morango, manga, amora, framboesa, melão, kiwi, pêssego, etc.).
- Junte a banana congelada e a fruta escolhida em um mixer ou liquidificador e bata até ficar em textura de sorvete. Se for necessário, pare de bater e mexa com a colher para que todas as partes fiquem homogêneas.
- Você pode adicionar ameixa ou uva passa picada na hora de bater se seu filho sofre de prisão de ventre. Assim adoça e ajuda no sistema digestivo.
- Você também pode acrescentar uma colher de sobremesa de mel para adoçar se seu filho tiver mais de um ano de idade.

Pronto! Simples e rápido de fazer!

Falso danoninho

Sem corantes, sem açúcar, sem leite e muito saboroso! Pode substituir o sorvete na sobremesa, pode ser levado na lancheira da escola, além de servir como um lanchinho em qualquer ocasião do dia. Para bebês que estão com dente nascendo esse geladinho ajuda a acalmar as gengivas.

Faço esse frozen desde que Ivan tinha seis meses e com o tempo foi adicionando e incorporando novos ingredientes. A base da banana congelada funciona como textura e o gosto também pode ser mais ou menos marcado pela fruta que acompanha. Quem quiser dar apenas a banana congelada também pode!

Caso você possa comer alimentos com leite, você pode adicionar um copo de iogurte natural à banana e a outra fruta. Mas atenção: fica mais pesado!

Veja abaixo o modo de fazer dessa receita na prática. Fiz com Ivan em casa e ele comeu em seguida:


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