Nada como redecorar a casa e colocar ela com cara de uma casa atualizada (nem vou dizer moderna, porque algumas características antigas eu também amo). Eu estou nesse momento! Depois de alguns anos sem mudar a carinha da minha casa, comecei a alterar alguns cantinhos aos poucos. Como quero estar à frente do que já estão usando, fiquei de olho na ABCASA Fair, que apresentou diversas tendências que super amei. Olhando para o que foi apresentado na feira, o mais interessante está nas transformações que acontecem dentro de casa e no que elas representam para o consumo.
Depois de um período em que ambientes neutros, minimalistas e visualmente muito organizados dominaram as referências de decoração, as apostas para os próximos anos indicam uma volta da cor e da mistura. Azuis profundos, verdes e tons terrosos aparecem ao lado de estampas, papéis de parede e combinações menos rígidas entre materiais, objetos e estilos. Para mim, isso diz muito sobre uma mudança que vai além da decoração, afinal, a casa está deixando de ser pensada apenas a partir de uma estética e passando a incorporar mais elementos da história de quem vive nela. Ou seja, voltando a ser uma casa com cara de casa e não cara de loja ou referência de Pinterest que qualquer um pode copiar.
Essa mudança aparece também na valorização de referências afetivas. Peças de inspiração vintage, objetos que remetem à casa dos avós, acabamentos menos polidos e elementos ligados às memórias familiares convivem com referências contemporâneas e mediterrâneas. É uma mistura que representa bem um consumidor que não necessariamente quer substituir tudo o que tem para acompanhar uma nova tendência, mas procura incorporar novos elementos ao que já faz parte da sua vida.
Como dona de casa, vejo bastante sentido nisso. A decoração precisa conversar com a rotina. Uma casa pode ser bonita, mas também precisa ser prática, fácil de manter e adequada às pessoas que vivem nela. Por isso, a busca por funcionalidade continua importante mesmo com a volta de propostas mais coloridas e ornamentadas.
É uma combinação que também interessa ao mercado. Quando o consumidor passa a buscar produtos que tenham personalidade, mas que ao mesmo tempo resolvam alguma necessidade do cotidiano, diferentes categorias conseguem participar dessa transformação. Não estamos falando apenas de móveis ou objetos decorativos, mas também de têxteis, utilidades domésticas, mesa posta, aromas e presentes.
O valor das memórias no consumo
Outro ponto que chamou minha atenção foi a presença de produtos personalizados e de itens associados à memória e à experiência. Em um mercado em que temos cada vez mais opções e conseguimos comparar produtos e preços com facilidade, criar uma conexão emocional pode ser um diferencial importante. Um aroma que lembra alguém, uma peça que remete à infância ou um objeto escolhido para uma ocasião especial carregam um significado que vai além da função. É justamente aí que o consumo para a casa se aproxima de temas como experiência e construção de memória.
Isso ajuda a explicar também por que objetos antigos e referências afetivas voltam a aparecer entre as tendências. Não se trata simplesmente de resgatar uma estética do passado, mas de trazer elementos que tenham algum significado para dentro de ambientes contemporâneos.
Natal ganha espaço dentro da casa
O Natal foi outro destaque da feira e mostra como a sazonalidade pode ser trabalhada pelo varejo para além dos produtos tradicionalmente associados à data. A árvore continua sendo um dos principais símbolos, mas a decoração natalina começa a ocupar outros ambientes, com cerâmicas, velas, têxteis, utilidades domésticas e itens de mesa posta chegando à cozinha, à sala de jantar, ao lavabo e até à varanda.
Do ponto de vista do consumidor, isso acompanha uma mudança na própria forma de celebrar. A decoração deixa de estar concentrada em um único ponto da casa e passa a fazer parte da experiência de receber, montar a mesa e criar o clima para a celebração.
Para o varejo, a oportunidade é ainda maior. Em vez de depender apenas da venda de uma árvore ou de um conjunto de enfeites, o Natal passa a movimentar diferentes categorias e faixas de preço. Segundo os dados apresentados pela ABCASA, os produtos natalinos já representam cerca de 15% do faturamento anual da Noviplast, enquanto a Zona Livre reúne aproximadamente 500 itens dedicados à data.
O fato de alguns expositores terem chegado ao último dia da feira com produtos de Natal esgotados reforça a força dessa demanda e mostra que o consumidor já está se preparando para uma das principais datas do calendário do varejo.
O que essas tendências mostram
Acompanhar a ABCASA Fair de longe me mostrou um retrato de comportamento. A volta das cores, das estampas e das referências vintage acontece ao mesmo tempo em que continuam importantes a funcionalidade, a praticidade e a possibilidade de adaptar os produtos à rotina. Isso mostra um consumidor menos preocupado em reproduzir uma estética pronta e mais interessado em construir uma casa que tenha relação com a própria vida. E não significa necessariamente consumir mais. Em muitos casos, significa escolher melhor, misturar o que já existe com novidades e buscar produtos que tenham alguma função ou significado.
A casa está cada vez menos relacionada a uma decoração perfeita e cada vez mais ligada à experiência de quem vive nela. Para as marcas, entender essa mudança significa olhar para além do produto e perceber que, quando falamos de casa, estamos falando também de rotina, memória, afeto, praticidade e identidade.
Estou vivendo esse processo de uma forma bem mais simples. Estou redecorando minha casa aos poucos, sem grandes reformas e sem a intenção de trocar tudo. Vou olhando para o que já tenho, entendendo o que faz sentido continuar, escolhendo uma coisa aqui, outra ali e tentando deixar os ambientes mais gostosos para a minha rotina.
Por isso, acompanhar de longe o que apareceu na ABCASA Fair também me fez perceber que não preciso transformar minha casa para seguir uma tendência. Posso trazer uma cor, mudar um objeto de lugar, incluir uma peça que tenha significado ou simplesmente encontrar uma solução que facilite meu dia a dia. No fim, é isso que eu quero para a minha casa: que ela seja bonita, mas principalmente que tenha a minha cara e funcione para a vida que eu levo hoje.
E é esse processo que quero dividir por aqui. Não é uma casa pronta e perfeita para mostrar, mas como alguém que está, aos poucos, olhando para a própria casa com outros olhos e descobrindo o que pode mudar sem precisar gastar uma fortuna. Se você também está nessa fase, fica por aqui. Vou mostrar o que estou fazendo, o que está funcionando e, principalmente, o que realmente vale a pena mudar.


.jpeg)


.jpeg)













































