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setembro 15, 2017

Carta para...o meu eu aos 15 anos


De: Rio de Janeiro, 15 de agosto de 2017.
Para: Petrópolis, 15 de agosto de 2001.

Oi, Pri!

Quem escreve é a Priscilla do futuro, mais especificamente a Priscilla dos 31 anos. Já faz algum tempo que venho te observando e analisando suas atitudes. Dizem que todo adolescente é meio rebelde, mas como você sempre foi meio reclamona essa fase chegou para sua família sem muitos espantos. Entendo que o momento que sua família passa nesse exato momento não seja o dos mais fáceis e sei que você vai tirar esse ano como o pior da sua vida, mas creia: em cinco anos você terá pra valer o pior ano de todos e esse parecerá fichinha, vai por mim.

Muitas meninas sonham com a festa de 15 anos, mas você nunca buscou isso – talvez por saber que não a teria mesmo, talvez porque não tivesse tanta gente assim pra chamar pra festa que você gostasse realmente. Uma coisa nós somos iguais até hoje: não gostamos de chamar qualquer um para nossos eventos. A melhor decisão que tomou foi insistir para seus pais te darem a viagem de formatura da oitava série como presente de aniversário. Você carregará boas recordações desse passeio com os amigos por toda a vida, ainda que nem tudo dessa viagem fossem flores.

A formatura em si da escola trouxe novidades à sua vida e muita maturidade em pouco tempo já que sua família foi da crise total à bonança repentina em poucos meses. O ano de 2001 pode não ter sido como você esperou, mas trouxe lições valiosas. Mesmo tendo mais dinheiro em casa você foi estudar em colégio público e olha, isso de não ir as aulas no primeiro semestre foi meio burro, mas sabe lá Deus como você conseguirá passar de ano – não porque suas faltas foram abonadas, mas porque você realmente é boa aluna e se dedica quando tá a fim.

Falando em dedicação, lindo esse argumento de ir pra escola por causa de garoto. Pelo menos pra isso ele serviu, já que era mais apático que um prato de arroz cozido sem tempero. Não fica triste com o que vou te dizer, mas ele não vai durar nem poucas semanas depois do seu aniversário de 16 anos. Eu sei que você não vai ficar triste, por algum fator que suspeito que termine com Sanches, você não vai derramar mais que duas lágrimas pelo fim desse namoro que nem namoro foi – apatia define, repito. Sinto orgulho de você por isso. Duas lágrimas será muito, juro.

Bom, deixa eu voltar um pouco, porque acelerei todo o contexto. Você vai viajar nesses seus 15 anos para lugares que nem sonhou como Paraná e Santa Catarina, vai conhecer pessoas novas e ver que é possível sim que gostem de você pelo que você é. Vai andar com amizades que nada tem a ver com você, mas sabe lá Deus por quê, você vai colar neles como se fossem as melhores companhias. Você vai para o show do Belo, mas não vai para o d’Os Travessos. Não vai ter a oportunidade de ver a Cassia Eller cantar ao vivo pela última vez, mas vai dormir no show do Arnaldo Antunes. Vai se distanciar de amigas que realmente gosta e que gostam de você, mas esse contato será retomado, fica tranquila.

Nos seus 15 anos você terá mais lições que muita gente terá em toda a vida. Vai fazer seu primeiro retiro espiritual e, no final de tudo, vai amar ter ficado reclusa de tudo e todos. Vai conhecer o que é terrorismo pela TV, vai começar a dançar (Uptown Girl, do Westlife não será a mesma pra você por toda sua vida, assim como POP, do NSync), vai começar a fazer trilha, vai passar a ir cada vez menos ao Rio e vai conhecer uma amizade que irá com você por muitos e muitos anos.

Falando nisso, tenho orgulho de você, garota. Em uma época em que nem se falava em sororidade, você sempre ficou do lado das meninas, não arrumou picuinha por causa de garoto e quando soube que o garoto que você gostava tinha feito outra sofrer foi lá amparar a dita cuja. Deus vê tudo e te deu um anjo na Terra nesse momento. Nem ela e nem você ficaram com ele, mas vocês sempre terão uma a outra.

Encerro essa carta pedindo que seja forte pela partida de teus cães e gatos. O ano de 2001 será de adeus aqueles a quem você mais ama. Por fuga, morte ou separação forçada mesmo. Queria poder dizer que será diferente, mas essa dor você carregará sempre e é ela quem te dará forças quando decidir atuar com proteção animal. Também fico feliz que tenha decido tão jovem a profissão que vai seguir e peço que nunca pare de escrever. Seus textos, músicas e poesias são ótimos. Um dia alguém dará valor. 

Playlist pra você colocar no seu CD e ouvir sem parar:
1- Jaded – Aerosmith
2- Lady Marmalade – Christina Aguilera, Mya, Pink e Lil’Kin
3- Survivor – Destiny’s Child
4- Imitation of Life - R.E.M
5- Thank You – Dido
6- All For You – Janet Jackson
7- Nothings gonna change my love for you – SNZ
8- Vou te procurar – Os Travessos
9- O Amor não deixa – Wanessa Camargo
10- Love Don’t Coast a Thing – Jennifer Lopez
11- Assim que se faz – Luciana Mello
12- Pra Terminar – Ana Carolina

Bônus track que te fará entender o momento da vida na qual está passando: Stuck in a moment – U2.

Como todo adolescente você não quer saber do futuro e sim do presente. Por isso me abstenho em contar mais detalhes do que vem por aí. Aproveite bastante cada dia, porque tudo isso que hoje você chama como pior ano da sua vida trará saudades depois. Saudade pouca, claro. Mas uma saudade de um tempo em que se podia ficar nadando à tarde na piscina sem se preocupar com a vida e tendo tempo para bolar textos incríveis. 

Com amor e empatia, 
Priscilla dos 31.


Este texto faz parte da blogagem coletiva do #BlogosferaMaisUnida. Veja as cartas das outras participantes clicando nos nomes abaixo:

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julho 24, 2014

Cartas para...uma lacuna em branco



Rita,

Acho que ninguém me conhece tão bem como você, que conhece todos os meus problemas e sabe tudo o que acontece na minha casa. Esta carta é mais um desabafo de quem está longe e não tem outro meio de comunicação, porque tiraram todas as formas de se ter contato com o passado. As coisas aqui não estão bem e eu estou bastante machucada com as coisas que ando descobrindo do meu pai. Não bastasse eu não ter a presença dele, desde que nasci, fiquei sabendo que "eu não sou problema dele". Isso mesmo. Ele lava as mãos em relação a mim. Não sei como ele dorme com a cabeça tranquila no travesseiro sabendo que não temos quase o que comer. Por causa dele minha mãe abriu mão de tudo o que tinha, apenas para ele viver no conforto com a nova mulher. 

No melhor momento da minha vida ele simplesmente manda parar! Sair do colégio nesse momento me desestrutura. Lembra como foi quando entrei nele, o quanto foi difícil a adaptação? E segundo meu pai eu posso ficar sem estudar que não serei mais uma analfabeta. Isso machuca. Trocar de colégio logo agora é muito estranho. Não que seja estranho estudar em colégio público, mas eu estava completamente integrada a uma turma, amiga de todos e com o melhor dos momentos acontecendo. 

Tenho ligado para ele todos os dias para ouvir da boca dele tudo que me contaram, mas ele tem rejeitado minhas ligações. Ultimamente tem colocado a dita cuja atual para falar comigo e como ela é grossa! Hoje mesmo ela falou que eu deveria ter pena dele e parar de ficar ligando e mendigando. MENDIGANDO. Um direito meu, sabe? Ao desligar (na verdade, ela desligou na minha cara), fiquei pensando em como tudo que fiz até hoje foi mendigar para ele. Mendigar atenção, ficar rastejando um pouco do amor dele, um pouco da atenção, do tempo...mas nunca do dinheiro. E tem aquilo: se atenção não ganho, será que o dinheiro compensa? Até hoje compensou de alguma forma, mas nem isso tenho mais. Afeto nunca tive, era uma transação comercial. 

Acredito que isso de alguma forma me afeta na forma como lido com os meninos. Deve ser por isso que tenho sempre um pé atrás e deve ser por isso que insisto em qualquer resquício que seja da atenção. Eu também mendigo amor. Tenho ciência disso e pode ser que agora, com 15 anos, eu venha a mudar esse comportamento. Sei que sou autossuficiente em muitos aspectos, principalmente o emocional, mas ainda não encontrei o equilíbrio necessário para controlar isso. Ou eu sou fria demais ou eu chego marcando em cima, insistentemente. 

Sei que esses foras por meio do telefone tem me causado umas novas feridas e tenho medo das sequelas que elas podem deixar. Não quero pensar nisso, mas é fato. Imagina o dia em que eu tiver que ligar para algum garoto e ele fugir de mim, tal qual meu pai faz? Há um espaço em branco em relação ao amor paternal, uma proteção masculina. Minha mãe diz que isso é balela, que ela deu todo o amor necessário, firme ou não. É bem verdade isso, mas também sinto uma falta de afeto por parte dela e não sei dizer por quê. 

Não sei como controlar o que sinto e a cada fora que a vida me dá, mais eu me protejo. Ando construindo muros a minha volta. A parte chata é que eu só deixo passar desse muro quem eu quero e para sair é aquele drama. Nesse momento minha vida poderia ser uma novela mexicana, onde a mocinha abandonada pelo pai vai em busca de algum propósito na vida. Como sufre mi herido corazón.

Beijos
Lili





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julho 17, 2014

Cartas para...o relato das chopadas


Bianca,

Desculpe não ter ido ao evento que sua turma da faculdade organizou, sei que é seu último período antes de se formar, mas é que enquanto você estava ausente aconteceram algumas coisas. Vou te contar um trauma que carrego e você talvez nem saiba. Poucas ocasiões na minha vida foram tão frustrantes quanto minhas tentativas de me divertir em chopadas. Desde que entrei na faculdade fui à algumas e em todas elas eu me vi chorando quando voltava para casa, pode isso? Você deve se lembrar quanto te contei da primeira vez que fui em uma, organizada pela faculdade de medicina, aquela do dia do maior pé na bunda que tomei na vida. Parecia que algo me alertava que eu não deveria ir, mas fui apenas porque algumas das minhas melhores amigas iriam. Perguntei ao garoto que eu tinha uma "relação" se ele iria e ele disse que não sabia. Então fui leve e solta. 

Eu não tinha parâmetro de chopada e o que era isso. Eu não conseguia chegar até onde distribuíam as bebidas e dependia dos outros para me trazerem copos. Em apenas alguns copos já via o mundo girar e ria de tudo e todos, fiz amizades me metendo em conversas e ri com as pessoas caindo em tombos homéricos. A alegria durou pouco nesse dia quando me perdi das minhas amigas e passei a andar com pessoas que eu conhecia há poucos meses. E então uma delas me apresentou a uma menina que foi quem me trouxe o copo da discórdia. Aquele em que eu bebi e não me lembro de mais nada, apenas daqueles flashes que te contei, em que eu estava mijando com uma desconhecida me olhando e me passando um telefone para falar com alguém que por acaso era o meu grande amor. O elo dela com ele, eu só fui descobrir depois de horas quando o efeito de sei lá o que passou e eu retomei a consciência. Para a minha surpresa, ela era a namorada dele ou quase isso. E em algum momento loucona eu devo ter falado que eu também ficava com ele - e devo ter contado detalhes sórdidos, porque ela continuava a me questionar mesmo depois de eu estar "bem". Ao encontrar minhas amigas fugi dela, que eu não sabia nome, sobrenome e nada além de que ela também ficava com quem eu também mantinha uma "relação" há um bom tempo. Não me doía saber que ele ficava com outra (s), me doía ao lembrar a maldita ligação enquanto eu mijava. E foi indo embora para casa que eu me lembrei das palavras dele de que nunca mais queria falar comigo. De repente eu era a culpada e nem sabia do quê. E foi ao chegar em casa e ligar para ele que descobri o que tinha acontecido. Eu realmente tinha contado para uma desconhecida toda a minha relação com ele, com minhas dúvidas, com coisas que só eu guardava para mim e ela, na mesma hora ligou para ele e cobrou explicações. Para ele aquilo foi um absurdo premeditado por mim e foi essa a acusação dele: que eu queria atrasar a vida dele com outras garotas. E foi assim que eu arrumei um trauma para vida - o de não aceitar bebidas de estranhos. O pior foi que nessa festa eu acabei ficando com um garoto que eu nem queria, porque ele simplesmente me agarrou devido o meu estado alcóolico (em uma ocasião normal eu fugiria ao primeiro sinal de intenção dele). Até então ele e eu flertávamos, mas eu ainda era fiel ao que sentia pelo outro. E então eu fiquei e até gostei, mas foi isso e fim.

A segunda chopada veio pouco depois dessa traumatizante. Ainda estava me curando do fora, estava machucada e ainda revivia aquelas palavras dentro da minha cabeça quando topei ir a mais uma festa organizada pela faculdade de medicina. Eu me senti tão deslocada naquele lugar que a cada cinco minutos me perguntava o que estava fazendo ali. Estava indo com pessoas que eu tinha passado a andar há tão pouco tempo, que nem muito assunto eu tinha. Eu olhava aquelas pessoas bêbadas e não gostava do que via. Eu não queria fazer novas amizades, não queria ficar com ninguém, só queria curtir a minha fossa em paz. Então por que fui sair de casa e gastar dinheiro para nem sequer beber um copinho do líquido dourado? Nem com o show de banda de axé eu consegui me empolgar e fazer aqueles passos de dança que só nós sabemos fazer. Foi difícil voltar à realidade, ser jogada em um ambiente social quando eu ainda estava ferida. Cheguei em casa e parecia que estava doendo mais. Nem mesmo "aquele garoto" eu vi. Certamente estava em casa de conchinha com a nova - e primeira - namorada dele. 

Os meses se passaram e eu voltei a ter vida social. Ainda não acredito como, meses depois da fatídica chopada, voltei a ficar com aquele menino que me agarrou. Ele insistiu tanto que eu achei que tava fazendo um favor, ato de caridade. Mas continuamos a relação e ele foi, de alguma forma, ajudando a tapar a ferida que o outro abriu, sem termos que namorar oficialmente. Surgiu o convite de uma nova chopada, onde eu iria de VIP e não tinha como negar. Até cheguei a perguntar a esse menino que eu ficava, se ele iria e ele respondeu que não sabia (tal qual o outro). E então aproveitei aquela chopada como não tinha aproveitado nenhuma outra: bebendo, dançando e me divertindo com minhas amigas. O teor alcoólico não estava tão alto quando encontrei o outro que me deu um pé na bunda. Ele já estava solteiro - o namoro não durou muito - e mesmo assim nem olhou para mim. Aquilo me doeu. Respirei fundo e continuei a me divertir na medida do possível, rejeitando investidas de outros rapazes e com a cabeça um tanto perturbada. A ferida não estava cicatrizada, percebi. Mas não me deixei abater em nenhum momento. E então as coisas foram acontecendo muito rápido. Saí da área vip e fui para a pista encontrar outras amigas. Avistei meu atual boy e antes que eu fosse ao encontro dele ouvia frases de algumas pessoas de "eu não sabia", "eu juro que estou tão surpresa" e não entendia. Foi quando me juntei as outras amigas que percebi que meu boy, aquele que insistiu horrores para ficar comigo, estava em um relacionamento com uma colega minha! Fui tão fria quanto uma pedra de gelo. Eu olhei para os dois, dei oi e saí dali com outra amiga. Enquanto voltava para a área VIP passei pelo outro do pé na bunda e vi que ele se divertia muito, sem nem ligar para a minha presença. Minha cabeça começou a dar voltas, um bêbado passou por mim e quase rasgou minha orelha enquanto levava embora meu brinco, aquele que eu adorava, agarrado nele. Mas nem parei para procurar, mais nada tinha importância. Eu estava em choque, horas antes havia falado com o garoto que, até então, estava comigo e ele agiu como se eu fosse a única. Eu nem gostava dele tanto assim, mas foi a situação de ser trocada mais uma vez que me deixou mal. Além disso era ver o grande amor livre e solto, como eu, e não estar comigo. A ferida foi exposta e abria cada vez mais. Eu estava destroçada.

Mais de um ano se passou até que voltei a ir em uma nova chopada. E é aí que entra a grande novidade para você, Bibi. Estava tentando me divertir com um inconstante rapaz com quem eu me relacionava e vivia em eterno iô-iô. Era minha cartada final, após diversas situações que eu estava cansada de passar.Eu mal tinha bebido naquele dia, mas ele sim, estava entornando todas. Em poucas horas de festa ele me largou no meio da galera - que nem gostava de mim - e foi se sarrar em outra. Eu queria ir embora, mas precisava dele para isso e então fiquei, me sujeitando aquilo tudo.  Minha última chopada teve o que faltava para terminar minha desgraça: ser humilhada por pessoas que não gostavam de mim (e calada), vê-lo ir ficar com outra e, pra fechar com chave de ouro: levar um tapa e chute dele. Minha frieza aguentou aquilo até que eu pudesse pegar minhas coisas no carro de um amigo nosso. Minha raiva era tanta que eu não queria mais saber daquele lugar, dele e daqueles amigos bisonhos. Peguei minha bolsa e fui embora como se nada tivesse acontecido. Dei tchau e prometi nunca mais ir nesse tipo de evento.

Todas as vezes que fui em uma festa dessa me dei mal. Não tenho uma história boa para contar! Por isso recusei o convite para ir à chopada que a sua turma de medicina organizou. A culpa não foi minha, talvez seja desses boçais que entraram no meu caminho, mas eu prefiro crer, amiga, que a culpa é da cerveja.

Beijos
Lili

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