Desde 2025, mulheres de 40 a 49 anos podem fazer o exame na rede pública mesmo sem sintomas. Veja o que diz a lei, o que vale para cada idade e o que levar para a consulta
Se você tem 40 e poucos anos, é bem provável que já tenha
ouvido que mamografia de rotina "só depois dos 50". Essa informação
ficou para trás. Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde passou a garantir o
exame pelo SUS a partir dos 40 anos, mesmo para quem não tem nenhum sintoma, e
em dezembro do mesmo ano a mudança virou lei. Como Outubro Rosa é o mês em que
a pergunta aparece em todo consultório, vale entender o que mudou de fato, o
que a lei diz (e o que ela não diz) e como pedir o exame.
O que mudou na mamografia pelo SUS
Até 2025, a recomendação oficial de rastreamento do câncer
de mama no Brasil era a mamografia a cada dois anos para mulheres de 50 a 69
anos. Rastreamento é o exame feito em quem não tem sintoma nenhum, justamente
para encontrar o câncer antes que ele dê sinais.
Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde atualizou essa
orientação em dois pontos. O primeiro: mulheres de 40 a 49 anos passaram a ter
o exame garantido no SUS sob demanda, ou seja, quando a mulher procura o
serviço e decide, junto com o profissional de saúde, que faz sentido fazer. O
segundo: o rastreamento de rotina, aquele em que o próprio sistema deve chamar
as mulheres, foi ampliado e passou a ir dos 50 aos 74 anos, mantendo o
intervalo de dois anos.
Três meses depois, a Lei 15.284, sancionada em 18 de
dezembro de 2025 e publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte, levou
a mudança para a legislação. Ela altera a Lei 11.664, de 2008, para assegurar a
todas as mulheres a partir dos 40 anos o direito à mamografia, seguindo as
diretrizes do Ministério da Saúde.
A lei garante mamografia todo ano?
Não. Esse é o ponto que mais causa confusão. O projeto
original, o PL 499/2025, do senador Plínio Valério, previa o exame
"anualmente" para todas as mulheres a partir dos 40. Durante a
votação, a Câmara dos Deputados retirou a palavra "anualmente", e o
Senado aceitou a alteração, segundo a Agência Senado. Na prática, a lei garante
o direito ao exame a partir dos 40 anos, mas a frequência segue as regras do
Ministério da Saúde. Algumas reportagens publicadas na época falaram em "mamografia
anual", o que não corresponde ao texto aprovado.
O que vale para cada idade
Pela orientação atual do Ministério da Saúde e do Instituto
Nacional de Câncer (INCA), funciona assim:
Dos 40 aos 49 anos: o exame pode ser feito pelo SUS mesmo
sem sintomas. A decisão é tomada na consulta, depois de conversar sobre os
benefícios e os riscos do exame naquele momento da vida.
Dos 50 aos 74 anos: mamografia de rastreamento a cada dois
anos, mesmo sem nenhum sintoma.
A partir dos 75 anos: a decisão é individual, feita com o
profissional de saúde, levando em conta a saúde geral da mulher.
Mulheres com risco elevado, como quem tem histórico
importante de câncer de mama na família ou alterações genéticas conhecidas (nos
genes BRCA1 e BRCA2, por exemplo), passam por avaliação individual. Nesses
casos, o acompanhamento pode seguir outro calendário, definido por quem cuida
da saúde dela.
Por que a faixa dos 40 entrou
O motivo apresentado pelo Ministério da Saúde foi o peso
dessa faixa de idade nos diagnósticos: 22,6% dos casos de câncer de mama no
país atingem mulheres de 40 a 49 anos. O ministério também informou que, em
2024, mais de 30% das mamografias feitas no SUS já eram em mulheres com menos
de 50 anos. Ou seja, a procura já existia; a mudança organizou e garantiu esse
acesso.
O câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente entre as
brasileiras, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. Pela Estimativa
2026-2028 do INCA, divulgada em fevereiro de 2026, são esperados cerca de 78,6
mil casos novos por ano no período. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as
chances de um tratamento bem-sucedido, e é por isso que a conversa sobre o
exame não deveria esperar o aniversário de 50 anos.
Como pedir a mamografia pelo SUS
O caminho começa na Unidade Básica de Saúde (UBS), o posto
de saúde do seu bairro. Na consulta, o profissional avalia o seu histórico e,
se o exame for indicado, faz o pedido e encaminha para um serviço que tenha
mamógrafo. A organização da fila e do agendamento varia de cidade para cidade,
então vale perguntar na própria unidade como funciona por ali.
Para aproveitar bem essa consulta, chegue com algumas
informações na cabeça (ou anotadas no celular): se há casos de câncer de mama
ou de ovário na família e em quem, quando foi a sua última mamografia, se
houver, e se você notou alguma mudança nas mamas. E faça a pergunta direto:
"Com a minha idade e o meu histórico, de quanto em quanto tempo devo fazer
o exame?". Leve também um documento com foto e o Cartão Nacional de Saúde
(Cartão SUS), se tiver.
Entre um exame e outro: conhecer o próprio corpo
Quem cresceu nos anos 1990 e 2000 aprendeu a fazer o
autoexame das mamas com técnica, em dia certo do mês. Essa orientação mudou. O
INCA não recomenda mais o autoexame com técnica específica como forma de
rastreamento, porque os estudos mostraram baixa efetividade dessa prática. O
que o instituto orienta é que a mulher observe as mamas sempre que se sentir
confortável, no banho ou na hora de trocar de roupa, sem técnica e sem
cobrança, e dê valor às pequenas alterações que perceber.
Segundo o INCA, estes sinais pedem uma consulta sem esperar o próximo exame:
·
caroço (nódulo) na mama, principalmente se for
endurecido, fixo ou estiver aumentando;
·
saída espontânea de líquido de um dos mamilos;
·
pele da mama vermelha, retraída ou com aspecto
de casca de laranja;
·
mudança no formato do mamilo;
·
ferida na pele da mama que não melhora com
tratamento;
·
aumento progressivo do tamanho de uma das mamas;
·
pequenos caroços nas axilas ou no pescoço.
Notar um desses sinais não significa ter câncer; muitas
alterações nas mamas são benignas. Significa apenas que vale procurar
atendimento para investigar.
A informação que precisa chegar
Uma mudança como essa só funciona quando chega a quem ela
beneficia. Se você tem entre 40 e 49 anos, a mamografia pelo SUS já é um
direito, e a conversa sobre fazer ou não o exame agora cabe na próxima
consulta. Se você conhece alguém nessa faixa que ainda está esperando os 50,
talvez este seja o texto para mandar para ela.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de
um profissional de saúde, que é quem define, com você, o que faz sentido para o
seu histórico.
Perguntas frequentes
Mulher de 40 anos pode fazer mamografia pelo SUS?
Sim. Desde setembro de 2025, o Ministério da Saúde garante a
mamografia pelo SUS para mulheres de 40 a 49 anos, mesmo sem sintomas, quando a
mulher e o profissional de saúde decidem que o exame faz sentido. A Lei 15.284,
de dezembro de 2025, assegura esse direito a todas as mulheres a partir dos 40
anos.
A mamografia pelo SUS a partir dos 40 anos é anual?
Não necessariamente. A versão original do projeto de lei
previa o exame todo ano, mas a palavra "anualmente" foi retirada
durante a votação. A frequência segue as diretrizes do Ministério da Saúde e é
combinada na consulta, de acordo com a idade e o histórico de cada mulher.
Com que frequência devo fazer mamografia depois dos 50?
Pela orientação do Ministério da Saúde e do INCA, mulheres
de 50 a 74 anos sem sintomas devem fazer a mamografia de rastreamento a cada
dois anos. Quem tem risco elevado passa por avaliação individual e pode ter
outro calendário.
Preciso de pedido médico para fazer mamografia pelo SUS?
Sim. O exame é solicitado na consulta, em geral na Unidade
Básica de Saúde, que encaminha para um serviço com mamógrafo. A forma de
agendamento varia conforme a cidade.
O autoexame substitui a mamografia?
Não. O INCA não recomenda o autoexame com técnica específica como método de rastreamento. A orientação é observar as mamas no dia a dia, sem técnica, e procurar atendimento ao notar alguma alteração, mantendo a mamografia na frequência indicada para a sua idade.
Faça o seu exame. Eu já fiz o meu esse ano, pela primeira vez, e foi bem mais tranquilo do que me falavam. Marca na sua agenda e não adia!!




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