Em vez de promessa de Ano Novo, eu fazia lista de aniversário. Voltei às duas que publiquei aqui e reparei nos itens que pularam de uma lista para a outra.
Novembro chegou e com ele começa a conversa sobre metas para o ano que vem. Eu já fiz isso de um jeito diferente e fui reler. Em 20 de novembro de 2017, perto do meu aniversário, eu listei 33 coisas para fazer antes dos 33 anos. Publiquei a lista aqui no Blog em fevereiro de 2018, com uma legenda de cores: concluído, em andamento e desistência. A primeira frase do post era esta: "Muita gente faz resoluções de ano novo, mas eu decidi fazer resoluções de aniversário."
A lista de 2017 tinha de tudo. Ler 30 livros, voltar a fazer exercícios, aprender um novo idioma, participar de uma corrida de rua de 10 km, terminar de escrever um livro, chegar a 20 mil inscritos no canal, fazer uma tatuagem, fazer uma torta de maçã, tirar uma foto dentro da piscina, ter um espelho de corpo inteiro. Coisa grande e coisa pequena misturadas, que é como a vida chega mesmo.
Dois anos depois, em dezembro de 2019, eu fiz outra, ainda maior: 101 coisas em 1001 dias, de 1º de janeiro de 2020 a 28 de setembro de 2022. Eu já tinha feito esse desafio antes, em 2014, e expliquei no post que a vida tinha mudado desde a primeira vez: na época eu não tinha filhos, viajava com mais facilidade e o dólar estava baixo. Por isso a lista nova vinha, nas minhas palavras, "com o pé mais no chão com itens bem mais possíveis e que não dependem de fatores externos".
E dá para ver isso nos itens. A lista de 2019 tem muito mais casa e família: fazer o Ivan aprender a nadar, ter um momento mãe e filho com cada um a cada quatro meses, fazer destralhe de brinquedos a cada aniversário das crianças, seguir o cronograma de limpeza semanal por dois meses, seguir com o acompanhamento da gastropediatria até a cura da APLV. Tem saúde e autocuidado também: tirar os cisos, fazer alongamento todos os dias por um mês, passar hidratante no corpo todos os dias por três meses, colocar salada no prato em todo almoço.
Mas o que mais me chamou a atenção nessa releitura foram os itens repetidos. Aprender a costurar está nas duas listas. Fazer uma tatuagem também. Ir a um restaurante mexicano, polir as alianças, guardar moedas em um cofrinho, comprar no mercado aquela coisa que eu sempre achei cara. E manter a casa com flores, que em 2017 era por um mês e em 2019 passou a ser por dois. Alguns desejos atravessam listas, anos e fases da vida e vão sendo reescritos com outro prazo.
Algumas coisas dessas listas viraram post aqui. Trocar de carro era o item 1 da lista de 2019. Em dezembro de 2020 eu contei que troquei de carro no meio da pandemia. A cura da APLV, que estava na lista, virou post em dezembro de 2025. E terminar de escrever um livro, que estava na lista de 2017, hoje é uma estante com quatro livros publicados. Lista não garante nada, mas deixa rastro.
Tem uma frase do post de 2019 que serve para qualquer lista de metas: "Caso eu mude de ideia a respeito de um item, porque a vida tomou outro rumo, eu risco e explico." Riscar não era fracasso, era combinado desde o começo. A lista existia para me tirar da rotina, não para virar mais uma cobrança na semana.
Isso conversa com uma coisa que eu escrevi lá em 2012, no balanço daquele ano: "Achei que daria certo conciliar carreira, casa e blog e não deu." Reconhecer o que não coube também faz parte de olhar para trás.
Por isso, se você está pensando em fazer a sua lista para 2027, deixo a ideia que as minhas listas antigas me deram: misture coisa grande com coisa pequena, deixe espaço para riscar e não se assuste se um item aparecer de novo daqui a dois anos. Às vezes ele só precisava de outra fase.
E por aí, vocês fazem lista de Ano Novo, de aniversário ou nenhuma? Tem algum item que passa de uma lista para a outra há anos? Me contem nos comentários.
Eu já adianto um segredinho aqui: a lista voltará esse ano!
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